No ano passado, mais de 100 mil pessoas no Brasil se submeteram à uma cirurgia bariátrica, buscando um método definitivo para tratamento de sua condição de obesidade. Infelizmente mais de 50 mil, ou seja, mais da metade delas terão algum grau de reganho de peso, e boa parte deles irão recuperar todo peso de volta. Situação extremamente preocupante para o paciente operado e que chega à essa situação dramática. Isso por que lutamos com uma doença incurável e crônica como a obesidade.
Vários são os motivos porque isso acontece: distúrbios metabólicos, novas doenças, distúrbios psicológicos e emocionais, perda do foco no tratamento, abandono do projeto da cirurgia bariátrica e da equipe multidisciplinar, hábitos incompatíveis com um emagrecimento sustentável. Porém, também existem fatores anatômicos que podem estar interferindo nessa questão do reganho, tais como alargamento da anastomose (emenda cirúrgica entre o estômago e o intestino), alargamento também da capacidade do estômago em reservar alimentos, entre outros.
Até há pouco tempo, a única possibilidade conservadora, salvo uma reoperação, era a aplicação de plasma de argônio sobre a anastomose. Esse método serve apenas para quem fez a cirurgia de Bypass ou Capella e o método só tem atuação sobre a anastomose e não sobre o estômago já reduzido.
A gastroplastia redutora endoscópica, no entanto, tem aplicação para qualquer cirurgia bariátrica, embora cada caso tenha que ser avaliado individualmente. Então serve para quem já fez Sleeve (Gastrectomia vertical), Bypass ou Capella, Santoro, Duodenal Switch, Scopinaro, Lazarotto, etc.
A proposta é individualizada, cirurgia a cirurgia, mas no geral o projeto é reduzir a capacidade gástrica por uma costura interna, feita por um dispositivo acoplado ao aparelho de endoscopia, sem cirurgia, sob anestesia geral, com alta no mesmo dia. É considerado um método bastante seguro, irreversível, com baixo índice de complicações e com boa eficácia na maioria dos pacientes bem selecionados.
É necessário seguir uma dieta específica por 6 semanas, parecida com a que é feita antes da cirurgia bariátrica, fazer acompanhamento com uma equipe multidisciplinar, com nutricionistas, nutrólogos, endocrinologistas e qualquer outro profissional que se faça necessário para corrigir todos os fatores que possam estar contribuindo para o reganho de peso, já que a obesidade é multifatorial. Não engordamos por um motivo só, tampouco emagreceremos por um motivo só.
Essa realidade do reganho de peso para quem já experimentou ser magro após uma cirurgia bariátrica é algo bastante desesperador. Quanto antes o paciente de reganho procurar ajuda, mais fácil será resgatar sua condição de estabilidade de peso.